Nesse mesmo ritmo e vibração eu vou seguindo com minha vida. Os tempos de um viciado ou qualquer coisa parecida, já se vão. A ânsia pelo cigarro, pelo tabaco, pelo treco, pelo teco, pelo alvo, pelo seleto. A ânsia de gerir sempre mais um gole. A ânsia de sentir lá dentro e depois lá fora. De sempre mais um transe. Tudo isso está se indo. Dando lugar a uma atenção à palavra. Dando vida a um prosaico prozac. Um solzinho que nasce numa conversa com um outro e que eleva-se pelo campo do simplesmente, da forma mais esparta. Desconhecermo-nos. Que valor se tem em cada vetor de individualidade! Cada um é sua própria verdade. Cada pessoa é um ponto que estica-se todo para conectar-se a várias realidades. Geralmente montada por outras pessoas, em outros lugares. Mas além de gente tem móveis, tem casas, tem cenários e plantas. Tem desejos, livros, crianças. Além de gente tem infâncias. Dando vida a uma feliz ideia de feliz idade. O flor é frágil e nasce. Para aqueles que ainda acreditam na ingenuidade. Ingenuidade com armadura de soldado em ditadura. Enrolado por papéis. Envoltos em sketches, seguimos para tentar chegar na buceta alheia. Alheia aos nossos versos, delícias em nossos lençóis, rolando como um doce que se escalda na cama de açucar. Como um pecado que se embrulha para a feira. Onde posso comprar mais? Tudo aquilo que o dinheiro indiretamente pode comprar. Desde o seu sorriso, até a confissão do que não era preciso. Eu tenho descoberto que ficar careta é bem melhor, pois se as drogas possuem o declínio de terem picos rápidos e terem seus efeitos a passar, o torpor da consciência, do simples respirar, não cessa com exatidão. Continua em direção, com a vida, a verdade e a viatura. É como se na caretisse das conversas do normal, fôssemos nos entorpecendo ao longo dos anos, pelos radicais não tão livres da sociedade, como se a velhice viesse como efeito dessa droga moral, desse método transversal. Um droga com o efeito duradouro de uma vida. Só espero, que não haja ressaca na saída.
